09/05/2008

Swing, o selo

Já dissemos, e não seria apropriado repetirmos, que qualquer dicionário sobre jazz deve reservar ao menos três verbetes para o vocábulo ‘swing’. Sobre um deles, o swing enquanto atributo rítmico do jazz, já traçamos modestas linhas (ver aqui). Do swing enquanto estilo de jazz, Mr. Lester promete editar uma série específica de resenhas quinzenais, para leitura, crítica e sugestão dos leitores. Por agora, falaremos sobre swing enquanto selo francês de jazz. Criado em 1937 como um dos segmentos da gigante EMI, o selo Swing tinha sua direção de artistas e repertório a cargo de dois grandes amantes do jazz: Charles Delaunay e Hugues Panassié. As gravações e a distribuição ficavam a cargo da EMI que, por diversas oportunidades, encomendou gravações de outros pequenos selos, dentre eles Dial, Pacific Jazz, Fantasy, e outras. O respeitável catálogo da Swing inclui verdadeiras jóias da história do jazz, como gravações do Quintette du Hot Club de France e gravações de diversos músicos norte-americanos que visitaram a Europa naquela época, como Benny Carter, Coleman Hawkins, Dicky Wells, Garland Wilson, além de músicos franceses dedicados ao jazz. Durante a ocupação nazista (1940-1944), mesmo com o jazz sendo proibido na França, verificamos o aumento nas vendas de gravações de jazz e o selo se torna um sucesso. Nesse período a gravadora utilizou músicos locais, antilhanos e alguns norte-americanos que não haviam sido enviados para os campos de concentração, como foi o caso do trompetista Harry Cooper. Após a guerra, o selo continuou a encomendar gravações realizadas nos EUA, para lançamento na Europa, até que, em 1948, passa para o controle da Vogue, sob direção de Delaunay, gravando e produzindo álbuns com músicos locais e norte-americanos durante toda a década de 1950. O antigo catálogo da Swing, que continua sendo propriedade da EMI, tem sido utilizado por diversas gravadoras que recolhem material do rico acervo e lançam excelentes coletâneas sobre o Swing, entre elas a formidável série Jazz in Paris. Para os amigos, fica ( ).

9 comentários:

mª. augusta disse...

Informação e música gostosa...Que bom!

João Luiz disse...

Beleza o selo, lado B, do 78 r.p.m da Gravadora Swing: Dick Wells and his orchestra, mostrando ainda o nome dos músicos e o nome da música. Para os iniciantes e, porque não dizer, os não iniciantes também é uma verdadeira preciosidade. Vejam e leiam cambada! Aproveitem que artigos e ilustrações desse porte são difíceis de encontrar.

Danilo Toli disse...

Dá vontade de perguntar aos visitantes deste blog se algum dia seremos capazes de mudar as coisas por aqui (no Brasil). Oferecer aos brasileiros pobres mais do que berimbaus e tambores e, quem sabe um dia, poder ouvir uma música com tanta qualidade, riqueza e beleza quanto ao Swing. Ou estamos condenados a ouvir eternamente os terríveis 'gênios do atabaque' e as duplas sertanejas?

Sonho com orquestras brasileiras produzindo música de qualidade. Se isso é um sonho ridículo e utópico, prefiro não acordar.

Anônimo disse...

Danilo,fica de olho na agenda da Banda Mantiqueira(www.bandamantiqueira.com.br).Quando estiver por São Paulo veja se a Big Band SoundScape(www.soundscape.com.br) estará tocando nas segundas no Blen-Blen Club ou o concerto bimestral da JazzSinfonica(www.jazzsinfonica.org.br) no Memorial da América Latina.Não precisa sonhar, graças ao público e principalmente a corajosos e talentosos músicos temos grupos de importância aqui na nossa realidade tupiniquim.Edú

Danilo Toli disse...

Valeu Edú, mas eu moro na Barra do Jucu, ES. Que pena não tenha condições de ir a SP.

Anônimo disse...

Vc é um sujeito privilegiado, então, meu amigo.Não enfrenta um transito caótico,não respira ar poluído e não tem que pagar uma "grana preta de condomínio" pra sentir sensação de segurança.A Soundscape tem um bom cd lançado há um ano e meio.A Mantiqueira excursiona bastante e deve "pintar" pelo eixo Vitória-Vila Velha em breve.A Jazzsinfonica vale uma visita a minha cidade.E o maior grupo em grande proporção(mais de 80 músicos) que já ouvi ao vivo em minha vida dedicada ao repertório popular.Isso, resultado de um trabalho de mais de 8 anos de preparo,formação, ensaios e concertos.Agora ela está tinindo.Sua agenda anual já foi divulgada e se conseguir chance , vale a visita.Edú

Anônimo disse...

Wow...aquela arrogância peculiar do sr. Edú deu lugar a um ser cândido, educado...quem diria!?
Que bom que as pessoas mudam...

Geovana

Mª. augusta disse...

Engano seu, Edú sempre foi educado, às vezes um tanto verborrágico, e com muito conhecimento e vivência em música. Contar para nós suas experièncias e saberes, me parece generoso, não arrogante!

Roberto Scardua disse...

Beleza Fred, saudações!