07/11/2009

A belíssima música dos pigmeus

Lendo sobre Kenny Drew no blog de nosso amigo Érico Cordeiro, verificamos como a Europa sempre recebeu bem os músicos de Jazz. E isso desde a década de 1920, com Valaida Snow e, nas décadas seguintes, Sidney Bechet, Bud Powell e muitos outros. Dentre os países que maior afeto demonstraram pelo jazz, a França, sem dúvida, está entre os primeiros. Talvez em virtude da ocupação norte-americana após a Segunda Guerra, os vínculos entre Paris e os músicos de jazz, que já eram estreitos desde a década de 1920, foram reforçados não apenas com a importação de excelentes instrumentistas norte-americanos, como também pela fabricação local de grandes músicos de jazz. Entre tantos, hoje resolvemos falar sobre o saxofonista Barney Wilen, filho de mãe francesa e pai norte-americano. Nascido em Nice, no dia 4 de março de 1937, Barney viveu seus primeiros dez anos no Arizona, retornando para a França após o término da Segunda Guerra, fixando-se com a família na Côte d'Azur. Sob a influência do poeta Blaise Cendrars, amigo de sua mãe, decide tocar jazz e dedica-se com esmero ao estudo do saxofone, ao mesmo tempo em que toca em clubes de Nice. Inicialmente, Barney seguiu os passos de Lester Young até adquirir, em meados da década de 1950, estilo próprio, tornando-se um dos melhores saxofonistas da Europa. Entre 1955 e 1960, Barney toca com Art Blakey, Benny Golson, Miles Davis, J. J. Johnson, Bud Powell e John Lewis, que o considera um dos quatro melhores saxofonistas do jazz, ao lado de Lester Young, Stan Getz e Lucky Thompson. Em 1957, Barney grava com Miles Davis a trilha sonora do filme Ascenseur Pour L'Echafaud (Lift to the Scaffold), de Louis Malle. Em 1958, grava para a Fontana seu primeiro álbum importante, Jazz sur Seine, com Milt Jackson ao piano, sim, apenas ao piano, Percy Heath (b) e Kenny Clarke (d) - para os amigos, deixo a faixa Swingin' Parisian Rhythm - e, em 1959, grava a trilha sonora do filme Un Témoin Dans La Ville, com Kenny Dorham (t), Duke Jordan (p), Paul Rovere (b) e Kenny Clarke (d). Na década de 1960, Barney abandona o Hard Bop e volta-se para a Fusion, desenvolvendo estudos com o jazz-rock. Em seguida, parte para a África, onde vive de 1968 a 1973, estudando a interessantíssima música dos pigmeus. Felizmente, Barney retorna para a França e, após um triste período tocando punk-rock, volta ao mainstream jazz que o consagrou, realizando uma série de álbuns importantes, muitos deles lançados pelo selo Venus. Seu último álbum, New York Romance, foi gravado em 1995 para a Sunnyside, em excelente companhia: Kenny Barron (p), Ira Coleman (b) e Lewis Nash (d).

17 comentários:

Anônimo disse...

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Vagner Pitta disse...

colega lester, estou ouvindo o vídeo com o novo album do dan nimmer: nada de excepcional ou de novo, propriamente dito, mas me simpatizo com o estilo do garoto...a começar por sua sutileza no álbum From the Plantation to the Penitentiary.

como vira-e-mexe estou aqui apreciando seus posts, tbm qro deixar aqui uma dica: no meu notebook o vídeo até aparece por inteiro, mas no deskstop ele me aparece cortado. Você poderia diminuir o vídeo?

trata-se somente de alterar o tamanho da largura (width= "425") para "295", e depois a altura (heigt= "344") para "215", ou seja, você apenas altera os tamanhos do vídeo que estão entre essas aspas lá no código, considerando suas devidas proporções.

esse é o tamanho pequeno que uso lá no Farofa , mas se vc achar o tamanho pequeno ou se ele não se ajustar aí no cantinho do blog, tu pode aumentar ou diminuir mais ainda o tamanho (lembre de considerar a proporção: se acrescentar na largura, acrescente o mesmo tanto tbm da altura, e vice-versa).

APÓSTOLO disse...

Prezado JOHN LESTER:

Resenha sintética mas perfeita sobre um músico de exceção, com carreira claramente dividida em 04 etapas. Para meu gosto pessoal (e isso sempre será tão pessoal quanto possível !), a última etapa é a melhor de todas, já que BERNARD JEAN "Barney" WILEN retornou às origens com maior envergadura musical que antes, som mais encorpado e, ainda assim, "aveludado" (tensão e relaxamento, frases com silêncios que nos fazem "antenar" com o músico, musicalidade como um LESTER YOUNG redivivo).
Esse é, realmente, um ícone do JAZZ !
O discaço de 1958 (com 3/4 do Modern Jazzz Quartet), "Jazz sur Seine", é obrigatório em qualquer discoteca: magnífica escolha !
Grato pela resenha, que vai para os arquivos (consultas futuras).

John Lester disse...

Prezado Mr. Pitta, obrigado pela sua presença e por seu interesse sempre renovado no jazz. Coisas compreensíveis apenas para quem gosta dessa música. A filosofia, sabemos bem, nasceu quando um homem tentou explicar porque gostava do azul.

Quanto ao tamanho do vídeo, nossa Equipe Técnica iniciará imediatamente os procedimentos necessários para que você possa vê-lo adequadamente em seu netbook.

E, prezado Mestre Apóstolo, que elogio maior poderíamos receber senão a guarda de nossa resenha em suas anotações pessoais. Não nos consideramos dignos de constar em tão nobre escaninho mas, se assim ocorre, ficamos absolutamente orgulhosos, embora intimamente constrangidos.

Sim, Dan Nimmer vem aí, em resenha próxima.

Grande abraço, JL.

Salsa disse...

esse é bom mesmo. Já está na estante.
Abraços do vizinho

Érico Cordeiro disse...

Mestre John Lester,
O Capitão de Longo Curso e Mar Aberto.
Muito bacana a postagem sobre o Wilen. Parabéns pela escolha e pelo disco postado (mais alguns destarrados, como o Kenny Clarke e o Duke Jordan no pedaço).
Valeu mesmo.
Eu pus uma resenha sobre esse saxofonista fantástico no jazz + bossa (link: http://ericocordeiro.blogspot.com/search/label/Bernard%20Wilen).
Big hold (traduzindo: abração)!!!

Vagner Pitta disse...

...

"Quanto ao tamanho do vídeo, nossa Equipe Técnica iniciará imediatamente os procedimentos necessários para que você possa vê-lo adequadamente em seu netbook." [sic]


rsrs...não, Mr Lester, tu não entendeu. No notebook eu consigo ver o vídeo por inteiro, mas é no dekstop (pc normal) que ele aparece cortado. Como acredito que a maioria das pessoas usem mais o dekstop, seria legal pro blog e para nós apreciadores assistirmos o vídeo bem dimensionado.

Ademais, repito: seu blog, junto ao do colega Érico, é outro manancial jazzístico de alto nível! Principalmente no que diz respeito a mostrar biografias e áudios de músicos de grande talentos que, geralmente, não se encontra fácil na net!

Abraço!

edú disse...

Barney Wilen foi a razão que impediu o jornalista e critico de jazz Roberto Muggiati em atirar-se nas águas fétidas do rio Sena para acabar com a própria vida.Roberto, após descobrir-se preterido por uma fogosa baiana residente em Paris que pôs “a catraca para rodar” por um novo amor mais endinheirado, resolveu optar por esta drástica solução.Ao dirigir-se a ponte para o salto final em direção às turvas águas foi comovido pelo som de um sax tenor solitário que transpirava de um cômodo anônimo próximo ao seu hotel.A melodia era Round About Midnight - de Thelonius Monk – nas suas palavras “a mais bela melodia do jazz”.Sob efeito dessa marcante sonoridade proveniente da prática do desconhecido músico repensou a atitude e decidiu modificar os destinos que guiavam sua vida.Algum tempo depois identificou o anônimo morador como Barney Wilen.O fato esta relatado como eixo central de seu livro “Improvisando Soluções” que infelizmente ainda não li.

Danilo Toli disse...

Paris, mulata, saxofone... Isso dá samba!

APÓSTOLO disse...

Prezado EDÚ:

Se ainda não leu, por favor leia, já que MUGGIATI sabe das coisas e, ainda melhor, sabe como transmití-las com precisão e certa dose de humor.
Como os demais livros de MUGGIATI, esse é mais um de alta qualidade.
Tem um toque de preparação para palestras em empresas, já que improvisar é preciso.
Bela lembrança de um livro que merece constar nas prateleiras dos amantes do JAZZ ! ! !

Paula Nadler disse...

Paris é tudo.

Beijos.

figbatera disse...

Só por ter saldo a vida do Muggiati esse músico já merece nosso respeito!
Além do mais, ele é bom mesmo...

edú disse...

Prezado Apóstolo,

esta na "listinha" – ainda mais bem endossado .Sei que ele tem um viés mais próximo a linguagem do desenvolvimento de RH.Uma tentativa válida de demonstrar que o jazz pode ser útil como ferramenta ao aperfeiçoamento humano.

John Lester disse...

Prezados amigos e visitantes, confesso que fiquei bastante interessado no livro do Roberto. Só espero que ele não utilize a linguagem do administrês, com aqueles "agregar valor", "empreendedorismo", "beijo no coração", "gestão translateral" e "excelência corporativa". É de doer o bundo.

Pedro Nunes, bundó tem acento?

JL

APÓSTOLO disse...

Prezado JOHN LESTER:

Não, Muggiati não se atem aos vocábulos "em voga" na área de RH.
De alguma forma tangencia as expressões, mas o foco está nos músicos, sob diversos títulos:
- Abraçando o Acaso
- Usando a Imaginação
- Superando Adversidades
- Encontrando uma Voz
- Agilizando a Mente
e por ai vamos.
Muitas histórias e estórias, com belas e rápidas tintas sobre o que é mais importante: os músicos e suas músicas.
Vale a pena !

PREDADOR.- disse...

Até que enfim alguém se lembrou de "desenterrar" Barney Wilen, tenorista com envergadura e musicalidade sem par, que ponteou os anos 50/60, gravando só com os "cobras" do jazz. Bem lembrado mr.Lester!

John Lester disse...

Ok Mestre Apóstolo. Vamos procurar o livro. E, Predador, dessa vez concordamos!

Grande abraço, JL.