30/10/2009
Charlie Christian (1916-1942)
04/04/2009
Puma
Na resenha anterior, quando Mr. Bravante mencionou o felino puma, lembrei imediatamente do guitarrista Joe Puma (1927-2000), figura bastante admirada pelos amantes do jazz West Coast, muito embora seja originário da costa leste. Injustamente, ele não é citado na The Virgin Encyclopedia of Jazz, edição de 2004, nem tampouco consta do The Rough Guide to Jazz, 3rd Edition, do mesmo ano. Mas os guias de maior gabarito falam desse guitarrista nascido numa família de músicos de New York e que aprende ainda criança seu ofício. Aos 22 anos inicia para valer a carreira ao lado do vibrafonista Joe Roland. Na década de 1950’ Puma é visto em todos os lugares, gravando inúmeras sessões com gente do naipe de Louie Bellson, Artie Shaw, Eddie Bert, Herbie Mann, Chris Connor, Paul Quinichette e, na década seguinte, Bobby Hackett, Gary Burton e Carmen McRae. Nos anos 1970’ forma um duo com o guitarrista Chuck Wayne, além de dedicar-se ao ensino, sacerdócio que não o impediu de manter-se ativo como músico até quase sua morte. Joe foi um guitarrista sensível, acentuadamente discreto e, embora inteligente e criativo, nunca obteve o destaque de público que poderia alcançar caso assim desejasse. Contudo, era respeitado pelos músicos e pela crítica, chegando a obter o prêmio de melhor guitarrista em 1957 pela revista Metronome. Em minhas orelhas fica a impressão de um Jimmy Raney em baixa rotação e tocando com oito dedos, mas nem por isso menos swingante e imaginativo. Para os amigos deixo uma faixa que diz muito sobre ele: Time Was , onde podemos comprovar que a máxima “menos é mais” tem sua razão de ser. Ela foi retirada da excelente coletânea The Jazz Guitar of Joe Puma, lançada pela Fresh Sound, onde foram reunidos os álbuns East Coast Jazz Series, Vol. 3 e Joe Puma Quintet (primeiras gravações como líder, realizadas em 1954, com Barry Galbraight (g), Don Elliot (vib), Vinnie Burke (b) e Ted Sommer (d) e lançadas pela Bethlehem), além de outras faixas gravadas em 1955, 1956 e 1957, em New York, com os músicos Dick Garcia (g), Eddie Costa (p, vib), Bill Evans (p), Dante Martucci, Oscar Pettiford (b), Al Levitt, Jimmy Campbell e Paul Motian (d). Enfim, o que Frederico Bravante tem de bagagem, Joe Puma tem de síntese. 09/09/2010
Lenda viva: Cornell Dupree
20/05/2007
Malone, Russell Malone
Aqui está um guitarrista pós-80' do século passado: Russell Malone. O jovem tocou com Jimmy Smith, Harry Connick, Jr e também com a ex-gostosa Diana Kall. Ele faz parte de uma geração de novos músicos que não despreza as influências do swing, do r&b e do bop - graças a Deus. Nesse disco - Sweet Georgia Peach -, o guitarrista utiliza todas as suas influências articuladas às linguagens mais contemporâneas (isso pode ser
observado especialmente nos arranjos dos temas executados). O trio que o acompanha é formado for Kenny Barron (p), Ron Carter (b) e Lewis Nash (d), músicos de primeira linha que ajudam-no a obter um excelente resultado nas gravações. Deixarei a irreverente faixa-título (observem o bom casamento das influências do guitarrista) e a reverente Swing low, sweet charriot (interpretação solo), que eu preferia ouvir numa mandada mais up, e que eu dedico à rapaziada gospel de plantão.13/06/2009
Lou Mecca, o quiroprático
Quiroprático, Lou Mecca desempenou a coluna de muitos pacientes, entre eles amigos músicos e, em especial, bateristas e contrabaixistas obrigados a transportar seus desengonçados instrumentos de lá para cá. Mas foi como guitarrista que utilizou melhor as mãos, chegando a ser eleito o melhor guitarrista do ano pela Corporação de Radiodifusão Canadense e o “New Star” pelos críticos da Down Beat. Só se fala em outra coisa. Foi com estas palavras que Gumercindo, o sócio mais bem informado do Clube das Terças, sentou-se à mesa naquela reunião animadíssima. Retirando de uma sacola da Casa Bonita o álbum Lou Mecca Quartet, lançado pela Blue Note em 1955, Gumercindo deixou perplexa a maioria absoluta dos sócios: então, perguntamos todos, Lou Mecca não era apenas mais uma piada do amigo? Reinaldo, tentando não demonstrar surpresa, inicia impassível e retesado discurso sobre o moço: esse massagista nasceu com o nome de Louis John Meccia, em 1926. Antes que pudesse prosseguir, é interrompido por Mestre Edù, sócio-visitante do Clube, que exigia dia, mês e local de nascimento do ilustre desconhecido. Nosso presidente informa que foi no dia 23 de dezembro, em Passaic, New Jersey, e prossegue: o pai de Lou era um trompetista clássico italiano, daí ter sido esse o seu primeiro instrumento, que começa a aprender aos oito anos, sob orientação paterna. Mas, segundo suas próprias palavras, Lou não tinha fôlego suficiente para levar adiante o estudo do trompete, voltando-se para a guitarra quando ingressa na The Master School of Music, que, por 50 cents a hora, fornecia lições e, de quebra, emprestava o instrumento. Abandonando os estudos secundários para dedicar-se à carreira profissional, começa a tocar em bares de Passaic. Nesse meio tempo, é convidado a lecionar numa escola de música em New Jersey, onde recebe uma pilha de livros e uma série de classes, desde o sax alto até a gaita de foles. Por volta de 1947, conhece o excelente guitarrista Johnny Smith que, por coincidência, também andou tocando trompete na banda do Exército. Animado, Lou volta a estudar seu antigo instrumento e chega a tocá-lo na Clifton Symphony. Sempre brincalhão, Lou confessou que, nessa época, lia música mais rapidamente do que conseguia tocá-la e, assim, não nutria nenhuma expectativa imediata de desafiar Clifford Brown para uma competição ao trompete. Sempre tocando sua guitarra pelos bares e clubes de New Jersey e arredores, Lou dedica-se cada vez mais à sua profissão de quiroprático, praticamente abandonando a música e o ensino durante 25 anos, até sua aposentadoria. Apesar disso, arranjou tempo para trabalhar com grandes músicos, entre eles Bill Evans, Teddy Charles, Ella Fitzgerald, Gil Melle, Eddie Costa, Al Cohn e Chris Conners, entre outros, além de tocar em musicais da Brodway e integrar orquestras. Levantando-se para ir ao banheiro, Reinaldo nos deixa a todos perplexos com a vastidão de sua cultura jazzística. Gumercindo, que chegara ali sorridente e esfregando as mãos, acreditando ter finalmente encontrado um músico de jazz não conhecido pelo Clube das Terças, entrega cabisbaixo e sorumbático o velho lp para mim, responsável por transformá-lo em cd. Para os amigos fica a faixa, que é quase uma massagem, You Go To My , com Jack Hitchcock (vib), Vinnie Burke (b) e Jimmy Campbell (d). Em sua agenda, Mestre Edù registrava a data de nascimento de Lou, dos sócios do Clube das Terças e de todos os transeuntes do shopping Centro da Praia. Sorrindo, alegou que adora aniversários.
01/06/2006
Rondando ao derredor do blues
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Menina levada do Storyville com gripe - 1912 - Bellocq.
Alonzo Johnson (?-1970) nasceu obviamente em New Orleans, numa família de músicos. Logo cedo aprendeu o violão e o violino. Após tocar em bares, bordéis e navios pelo rio Mississipi, viaja pelo mundo: aos dezessete anos parte para Londres, depois New York, Chicago e qualquer outra cidade onde um negro pudesse ganhar algumas moedas fazendo música. Na década de 20 tocou com astros como Eddie Lang, Louis Armstrong, Duke Ellington e Bessie Smith que, segundo as más línguas, teria levado uns pitacos do guitarrista. Os dois grandes problemas de Lonnie eram: primeiro ser um gênio negro da guitarra, inventor do solo desse instrumento no blues e no jazz, estando muito além de qualquer guitarrista de sua época, deixando um legado que influenciou Charlie Christian, Django Reinhardt, T-Bone Walker e B B King. Até mesmo Robert Johnson usava esse sobrenome para ser confundido como irmão de Lonnie. O segundo grande problema de Lonnie era não ser um negrinho engraçado e brincalhão. Lonnie Johnson era um homem educado, consciente de sua condição, nascido e criado numa grande cidade, onde os absurdos raciais eram denunciados e questionados por homens como ele. O próprio público negro afastou-se de sua música elaborada e inteligente, fazendo com que Lonnie fosse trabalhar como porteiro de Hotel.
Lonnie Johnson, que Roberto Muggiati chama de O Poeta do Blues.
Blues, Ballads, and Jumpin' Jazz, Vol. 2 - Bluesville - 196028/01/2009
There Is No Greater Love
E quem nunca passou uma lua-de-mel em New York ou Paris? Não? E em Parati ou Visconde de Mauá? Fale sério! Então case novamente e mãos à obra! Enquanto a bolha não sai voando nem estoura, recomendo uma lua-de-mel logo ali, em Visconde de Mauá e, se a carteira suportar, numa das suítes da Pousada Terra da Luz, logo na entrada da cidade. Além da aconchegante lareira próxima à cama, o deck da hidromassagem suporta bem a garrafa de tinto e duas taças. Em derredor, uma infinidade de plantas, milhares de insetos perigosíssimos e carradas de pássaros que, se por um lado não nos perseguem como no filme Alta Ansiedade, por outro espatifam-se nas generosas vidraças que compõem as instalações da pousada. Mesmo já tendo protestado junto ao proprietário, os acidentes continuam ocorrendo e é triste ver aqueles pássaros todos mortos ao redor da sala do café da manhã de manhã. Portanto, acorde tarde, quando já foram recolhidos num carrinho de mão por um dos atenciosos funcionários da casa. E corra porque nos dias 13 e 14 de fevereiro quem estará se apresentando por lá é Ricardo Silveira, um dos nossos melhores guitarristas.
De volta a Boston, por recomendação do guitarrista Bill Frisell, começou a trabalhar com uma banda de salsa, um de seus primeiros trabalhos profissionais nos EUA. Estrelas Latinas, como se chamava o grupo, era comandada por Fox, um violinista cubano, acompanhado por músicos de Santo Domingo, EUA, Porto Rico e Brasil. Nos finais de semana, Ricardo deixava Boston a caminho de Nova York, onde tocava com o grupo brasileiro Astra Carnaval. Recomendado pelo trompetista Cláudio Roditi, Silveira foi convidado para integrar o grupo do flautista Herbie Mann, com quem excursionou por dois anos pelos Estados Unidos. Nessa época, já morando em Nova York, começou também a trabalhar em estúdio com grandes músicos como Steve Gadd, Richard Tee, Marcus Miller, Michael Brecker, Jason Miles, Naná Vasconcelos, L. Shankar. Apesar dos quatro anos trabalhando fora de seu país, Ricardo manteve o contato com a música brasileira. Aliás, grande parte dos convites para tocar no exterior surgiu por ele ser um músico brasileiro. De volta, por recomendação do produtor e músico Liminha, que havia conhecido nos Estados Unidos, Ricardo foi convidado por Elis Regina para participar da turnê pelo Brasil do disco “Essa Mulher”. Foi no mesmo período que começou a surgir, além de shows, participações em gravações, desde jingles a discos dos mais diversos artistas. Após a turnê com Elis Regina, Ricardo começou a tocar com outros grandes nomes da MPB como Hermeto Paschoal, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Milton Nascimento, João Bosco, Ivan Lins, Nana Caymmi e Ney Matogrosso para quem também fez arranjos e direção musical. Entre a participação nas gravações e nos shows dos grandes nomes da música brasileira, Ricardo começava a desenvolver seus projetos solos. Seu primeiro disco foi Bom de tocar (Polygram), lançado em 1984. A música fez tanto sucesso, que acabou virando vinheta da Rádio Globo FM, ficando no ar por 10 anos, e eternizando seus solos de guitarra na música que deu nome ao disco.
Para o show, convidou os talentosos amigos: o baixista Nico Assumpção, o pianista Luiz Avellar, o baterista Carlos Bala e o saxofonista Nova Yorquino Steve Slagle. O resultado no palco foi tão bom que o quarteto acabou gravando um disco, o High Life, lançado em 1986 pelo selo Elektra Musician. O segundo trabalho solo data de 1987 e teve o mesmo selo. O disco tinha como título o nome do próprio guitarrista. Nos Estados Unidos, este trabalho ganhou o nome de Long Distance, pelo selo da Verve Forecast, que além deste lançou Sky Light, Amazon Secrets e Small World. Todos estiveram entre os cinco mais executados nas rádios de jazz americana, sendo que Sky Light e Amazon Secrets chegaram ao primeiro lugar. Nos Estados Unidos, além de excursionar com Herbie Mann tocou com nomes como Sérgio Mendes, Don Grusin, Dave Grusin, Oscar Castro Neves, Dori Caymmy, Nathan East, Vanessa Williams, El Debarge, Diana Ross, Brenda Russel, Justo Almario, Toots Tiellemans, Baby Face, John Pisano, Kevin Lethau, Ronnie Foster, Harvey Mason, Paty Austin, David Sanborn, Pat Metheny, Phil Perry, Earnie Watts, Gregg Karukas e Abe Laboriel. Com Matt Bianco, Silveira esteve duas vezes na Europa e no Japão, sendo que fez mais oito viagens para este último país em concertos de Sadao Watanabe e Dom Grusin. Com um outro selo - Kokopelli, de Herbie Mann - foi gravado seu sexto CD, o Storyteller, em 1995, que também esteve entre as cinco mais tocadas. Em 2001, o CD Noite Clara saiu no Brasil pela MP,B e em 2003 nos EUA pela Adventure Music. Este trabalho foi indicado ao Grammy Latino 2004 na categoria melhor CD Instrumental. No mesmo ano da indicação, Ricardo Silveira em parceria com Luiz Avellar, ambos com experiências em turnês ao lado de Milton Nascimento, gravam ao vivo – violão e piano – o CD Milton Nascimento ao Vivo pelo selo brasileiro da Universal e pelo americano Adventure Music. No dia 10 de julho de 2007 foi lançado nos EUA Outro Rio, seu décimo trabalho, e em fevereiro de 2008 no Brasil, repetindo a dobradinha dos selos Adventure Music e MPB.Para os amigos fica a faixa There Is No Greater Love , retirada do álbum Toots & Sivuca, gravado no Chiko's Bar em 1986, com a participação de Ricardo. O Chiko's talvez tenha sido um dos melhores bares de música da Lagoa na década de 1980. Hoje está política e corretamente instalado na Barra da Tijuca, onde a dose do doze anos custa doze reais. Mas se, no final, nada der certo, vá para o mardi gras em New Orleans.
08/07/2007
II Penedo Winter Jazz

PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO II PENEDO WINTER JAZZ
PALCO JAZZ VILLAGE BISTRÔ – JAZZ VOCAL
06/07 – Sexta – 21h00 - Andréa Brandão canta Diana KrallDepois de uma temporada em Melbourne (Austrália), a cantora paulista homenageia a canadense Diana Krall, com sensualidade e emoção.
07/07 – Sábado – 21h00 - Morana "Divas e Clássicos"Ex vocalista do Tim Maia, Morana é uma das vozes mais marcantes da cena jazz carioca. Neste show mostra sua personalidade e audácia interpretando standards de jazz e até Carmen de Bizet.
13/07 – Sexta – 21h00 - Patrícia Bosio canta Billie HolidayA cantora argentina que já se apresentou no Blue Note em NY, coloca sua desenvoltura cool a serviço da obra da lendária "Lady Day".
14/07 – Sábado – 21h00 - Chamon canta Leny Andrade
Carioca ex integrante do Garganta Profunda, uma das vozes masculinas mais bonitas da música brasileira, Chamon canta o repertório da maior cantora de jazz do pais.
20/07 – Sexta – 21h00 - Bernard Fines e Malu Rocha "Ballads"A paulistana Malu Rocha e o francês Bernard Fines harmonizam suas vozes e levam a platéia numa volta ao mundo, interpretando baladas em português, francês, inglês, espanhol e italiano.
21/07 – Sábado – 21h00 - Carlos Montez "Sinatra'n Jazz"Considerado o melhor cantor brasileiro de jazz em atividade, com um feeling e um domínio do material vocal absoluto, o carioca Carlos Montes encanta com a obra do Frank Sinatra.
27/07 – Sexta – 21h00 - Ju Cassou "Brazil Mix'n Jazz"
De volta de uma temporada na Alemanha, a cantora e pianista curitibana, ex-integrante do grupo vocal Garganta Profunda mostra sua arte encontrando novas linguagens, fusões, feelings expressos com a marca da alma.
28/07 – Sábado – 21h00 - Nando Gabrieli "Ele canta Ella"O carioca traz de volta ao Brasil um pouco da sua carreira internacional (já se apresentou em Nova York no Birdland, Town Hall, Lincoln Center, gravou ao lado do Tommy Flanagan, legendário e saudoso pianista de Ella Fitzgerald), e homenageia a Primeira Dama do Jazz.
Obs: No Jazz Village Bistrô, o couvert artístico das apresentações de sexta-feira será de R$20,00 e as de sábado R$25,00. Reservas pelo telefone (24) 3351-1275 e 3351 1343.
PALCO FINLANDIA
07/07 - Sábado - 20h00 - Karana e Grupo
O pernambucano mescla com muito talento sua brasilidade e sua convivência com músicos e professores da Berklee School, mostrando com muito suingue a fusão entre jazz e world music.
14/07 - Sábado - 20h00 - Os Silvas
A banda consagrada no cenário sul-fluminense traz a Penedo um show especial de Blues repleto de energia, passeando com desinvoltura entre Eric Clapton e Gary Moore.
19/07 - Quinta - 20h00 - Júlio Bittencourt Jazz Quinteto
A banda de Cruzeiro toca standards de jazz e releituras de marchinhas de carnaval, num show dinâmico e interativo, chegando a ensinar ao público a arte do improviso
20/07 - sexta - 20h00 – Rarybecla
O repertório da banda penedense, instrumental e vocal, inclui grandes temas de música brasileira, jazz e salsa, em releituras onde improviso e cumplicidade reinam pelo prazer dos nossos ouvidos
21/07 - sábado- 14h00 - Júlio Portes Quarteto
O guitarrista penedense Júlio Portes, formado no GIT de Los Angeles, interpreta com muito suingue standards de jazz e obras de jazz fusion de George Benson, Jeff Beck e Stevie Wonder.
17h00 - Aniceto Jazz Band
Com repertorio repleto de clássicos da música americana e brasileira, a banda do trompetista resendense é garantia absoluta de muita diversão e entretenimento.
20h00 - Kenny Brown
Sensação da inauguração do Jazz Village Bistrô, o grande guitarrista e cantor de New Orleans volta a Penedo e faz um show cheio de energia e de swing, mostrando toto o tempero cultural de sua cidade natal, berço do jazz.
22/07 – domingo
11h00 - Júlio Henrique e Paulo Blanc
Os músicos acompanhantes do Elymar Santos coloquem suas dupla musicalidade popular e erudito a serviço de um repertório de standards de jazz.
14h00 - Ju Cassou "Brazil Mix'n Jazz"
17h00 - Andréa Brandão canta Diana Krall
20h00 - Bernard Fines “French jazz”
O cantor radicado em Penedo apresenta seu Jazz com Sotaque Francês relembrando sucessos e standards de jazz com arranjos da Ju Cassou e do Júlio Bittencourt Trio
27/07 – sábado
20h00 – Lico Brasil
O cantor e violonista resendense faz um show empolgante com sucessos da soul music brasileira homenageando os artistas mais jazzy da MPB, Ed Motta, Djavan, Lenine, Claudio Zoli.
26/01/2009
Guaramiranga & Fortaleza - Fevereiro
A 10a Edição do Festival de Jazz & Blues de Guramiranga e Fortaleza acontece entre os dias 21 e 24 de fevereiro (Guaramiranga) e 26 a 28 de fevereiro (Fortaleza). Entre os músicos esperados vale destacar o guitarrista e gaitista Toots Thielemans e o baixista Arthur Maia. A seguir, texto do repórter Dawlton Moura para O Diário do Nordeste: O Festival Jazz & Blues Guaramiranga chega à 10a. edição com uma lista de grandes nomes. Entre as atrações, Toots Thielemans, Dominguinhos e César Camargo Mariano. Quando fevereiro chegar trará consigo o décimo carnaval com uma opção de trilha sonora diferenciada, para quem sobe ao Maciço de Baturité. O Festival Jazz & Blues Guaramiranga celebra seu aniversário driblando as dificuldades que marcaram os bastidores das edições mais recentes e oferecendo uma programação à altura da efeméride. O evento, que atraiu projeção nacional ao se firmar como uma das principais referências no crescente calendário de festivais do tipo, também desempenhou um papel importante no fomento à atual cena instrumental cearense. E, ao menos a julgar pelas atrações musicais, contará com motivos suficientes para atrair, de 21 a 24 de fevereiro, tanto quem ainda não conferiu o festival quanto quem já se acostumou ao carnaval na serra. Afinal, a programação confirma a vocação do evento para a diversidade - em um ecletismo saudado por muitos, mas também recorrentemente visto com ressalvas por quem preferiria um Festival Jazz & Blues menos ´free´ e mais ´strictu sensu´. Seja como for, fica clara a intenção de marcar esse primeiro decênio com uma grande edição do festival - comparável aos melhores anos do evento. Como, por exemplo, 2005, quando o público pôde assistir, entre outros, a nomes como Pedro Aznar, Hélio Delmiro, Stanley Jordan, Jorge Hélder e Naná Vasconcelos. Pra começar, o encontro, enfim concretizado, com o gaitista belga Toots Thielemans, cujo nome esteve rondando a programação em diversas edições. Festa para os fãs do instrumento, aos quais o festival sempre contemplou, com harmonicistas como Gabriel Grossi, Sérgio Duarte, Jefferson Gonçalves e J. J. Milteau. E para os quais também traz, este ano, o som do gaitista brasiliense Pablo Fagundes. Outro ´acerto de contas´ do festival é com um músico aclamado tanto pelo público quanto pelos mais virtuosos: o pernambucano Dominguinhos. Acordeonista e compositor que chegou a ser anunciado como atração principal do evento em 2007, mas acabou tendo sua participação adiada, devido a cuidados médicos. Dois anos depois, o sorriso e o talento de Dominguinhos, presença freqüente em Fortaleza nos últimos anos, se encontrarão com a platéia do festival na serra. Oportunidade também para o mais legítimo discípulo de seu Luiz mostrar um outro lado de sua musicalidade. E o mesmo evento que já trouxe ao Ceará artistas como Gilson Peranzzeta e Heraldo do Monte, que se destacam como instrumentistas e arranjadores, desta vez fará as honras da casa para o mestre César Camargo Mariano, radicado nos Estados Unidos, mas de tantos serviços prestados à música brasileira. Também na perspectiva dessa contribuição instrumental à música popular pode ser vista a presença do veterano guitarrista Lanny Gordin, um dos responsáveis pela sonoridade consagrada à época da Tropicália. Superando contingências difíceis, Lanny retornou à cena nos últimos anos, realizando shows e atraindo boa repercussão para suas releituras de clássicos tropicalistas, ao som cortante de sua guitarra. Entre os representantes do blues, o festival anuncia a participação do gaitista e vocalista Paulo Meyer, um dos fundadores da banda Expresso 2222, marcante na cena blueseira em São Paulo. Também com um pé no blues, embora passeando por vertentes como o funk e a música brasileira, o baixista Arthur Maia, presente em Fortaleza em 2008 participando do I Festival Cover Baixo, retorna ao Ceará para mostrar seu som em Guaramiranga. Um toque mais contemporâneo na programação fica por conta da presença do pianista e produtor musical paulista Benjamin Taubkin, que realiza um amplo trabalho de pesquisa de música brasileira e latino-americana. Responsável pela curadoria musical do Mercado Cultural de Salvador, Taubkin defende - e pratica - uma música aberta à pluralidade de estilos e influências, sempre favorecendo um diálogo entre diferentes referências, sejam geográficas ou artísticas. E se a história do festival é também pontuada pela presença de grandes intérpretes femininas - de Leny Andrade a Fhátima Santos, de Jane Duboc a Big Time Sarah -, a paulista Ná Ozzetti retorna ao Estado, desta vez no contexto do evento. Esta, aliás, é uma boa característica do festival, enfatizada na programação dessa décima edição: a possibilidade de se conferir por aqui shows que, de modo isolado, dificilmente despertariam o interesse de produtores locais. Enquanto a programação de artistas cearenses ainda aguarda definição, o festival já confirma a manutenção de espaços consagrados ao longo de suas nove edições até aqui. É o caso dos ensaios abertos, realizados no início da tarde, no próprio Teatro Rachel de Queiroz (que, infelizmente, chega ainda inacabado ao décimo Jazz & Blues). Além da chance de uma ´palhinha´ sem necessidade de pagamento de ingresso, trata-se de uma oportunidade para troca de idéias de modo mais descontraído entre artistas e público.Os shows realizados em espaços abertos ao final da tarde também devem continuar, segundo a organização. Assim como em anos anteriores, quando o público pôde assistir a apresentações no belo cenário da escadaria da Igreja Matriz de Guaramiranga, a idéia é abrir espaço também para jovens instrumentistas ´garimpados´ em oficinas do projeto Novos Talentos, promovido pelo evento em municípios do Interior. Por fim, as ´jam-sessions´ da madrugada, após terminadas as atividades no palco principal, prometem movimentar o público, com direito a muita improvisação e a uma espontânea interação entre os músicos. Celebrando a reunião em mais um carnaval. Mais informações:Festival Jazz & Blues 2009. De 21 a 24 de fevereiro em Guaramiranga e de 26 a 28 em Fortaleza. Realização: Via de Comunicação e Cultura. Promoção: Sistema Verdes Mares. Informações: 3262.7230 e Via de Comunicação e Cultura. FIQUE POR DENTRO - Mesmo quem não subir a serra durante o carnaval contará, também este ano, com uma oportunidade de conferir as principais atrações do Festival Jazz & Blues. Como já é de costume, o evento tem sua continuidade em Fortaleza, após a quarta-feira de cinzas. Os shows na capital acontecem no Theatro José de Alencar, entre os dias 26 e 28, quando alguns dos músicos também ministrarão oficinas, voltadas para instrumentistas e estudantes de música, mas também para o público interessado em um contato mais direto com os artistas. O espaço para os shows na capital ainda será definido pela organização. E antes do festival na serra, a programação de ´aquecimento´ ´Na Trilha do Jazz´ deverá se estender por bares e casas de show de Fortaleza, com a participação de grupos locais. As apresentações musicais acontecerão de quarta a sábado, com destaque para releituras de clássicos do jazz e do blues, em novos arranjos e formações variadas, por alguns de nossos melhores instrumentistas e intérpretes.obama lula eleições eleito15/02/2007
Morto em vida
Henri Crolla é um daqueles músicos de jazz injustamente esquecidos. Além de ter morrido cedo, com apenas 40 anos, Crolla escolheu mal seu instrumento: resolveu tocar guitarra na mesma época de Django Reinhardt, o gênio cigano que obscurecia qualquer guitarrista de seu tempo. Para piorar as coisas, Crolla, que nasceu em Nápoles, resolveu tocar em Paris, reduto exclusivo de Django. Contudo, nada disso impediu que Crolla e Django fossem amigos. Quanto aos estilos de cada um, embora catalogáveis ambos sob o swing, eram bastante distintos. Crolla era nitidamente mais econômico, sem os rocambolescos arpegios tão apreciados por Django. Além disso, Crolla desenvolvia seus improvisos em estreita correlação com a melodia, tornando fácil e simpática a audição de suas gravações. E mais: Crolla era extremamente generoso com seus amigos de gravação, concedendo amplos espaços para seus improvisos. Na Radiola Jazzseen deixo a faixa All The Things You Are, com Martial Solal no piano. A gravação é de 1955 e faz parte do álbum Begin The Beguine, um de três álbuns relançados pela EmArcy. Um tributo merecido para o competente guitarrista. 30/01/2008
Legends of Acid Jazz - Boogaloo
Boogaloo Joe Jones nasceu Ivan Joseph Jones na New Jersey de 1940. Sabemos pouco sobre esse guitarrista autodidata que aos 16 anos ganhou uma velha guitarra do pai. Inicialmente influenciado por Tal Farlow e Billy Butler, Boogaloo construiu seu estilo misturando muito funk, soul e blues, aprendidos com os mestres que atuavam em Atlantic City, entre eles Wild Bill Davis, Willis Jackson e Charlie Ventura. Nas décadas de 1960/70 Boogaloo gravou uma série de álbuns para a Prestige, a maioria deles relançada em cd. E quem acredita que Boogaloo não passa de um excelente guitarrista de R&B, está redondamente enganado. Em seus álbuns para a Prestige – em especial na coletânea Legends of Acid Jazz, que reúne os álbuns Boogaloo Jones (1969) e Right on Brother (1970) – Boogaloo demonstra sua habilidade para improvisar numa pegada que muito se assemelha a de um Grant Green ou, em alguns momentos mais ágeis, a de Pat Martino. O cd, embora contenha dois álbuns, parece curto demais de tão bom. Sempre muito bem acompanhado por músicos da categoria de Rusty Bryant (ts), Bernard Purdie (d), Sonny Phillips ou Charles Earland (org), Boogaloo deveria ser muito mais reconhecido pela crítica e pelo público. No entanto, gravou pouco e hoje nem sabemos ao certo por onde anda. Dizem que em Vineland, New Jersey. Para os amigos visitantes fica a faixa Boogaloo Joe. Até!![]() |
11/06/2013
BMW Jazz Festival: Pat Metheny no palco do Vivo Rio
14/08/2008
Jazz na Argentina
No Clube de Jazz nosso amigo Wilson Garzon relembra, recupera e vasculha o jazz produzido na vizinha Argentina que, ao contrário do futebol, tem boas coisas a nos apresentar na música. A seguir o texto do especialista: " Antecedentes - Meu primeiro contato ficou por conta do pianista Lalo Schfrin que fazia parte do quinteto de Dizzy Gillespie, no álbum “An Electrifying Evening with the Dizzy Gillespie Quintet” onde fazia solos em “Kush” e “The Mooche”, que se pareciam como solos de um músico brasileiro. Mas quem me marcou de vez foi o saxofonista Gato Barbieri, que antes de fazer grande sucesso com a trilha de “Último Tango em Paris”, gravou em 1971 “Fenix”, álbum em que interpretava com técnica e talento “Falsa Bahiana” de Geraldo Pereira e “Bahia” de Ary Barroso”, tendo a seu lado Ron Carter, Lonnie Smith e Lennie White. Outra presença, esta muito maior, ficou por conta do mago Astor Piazzolla em obras marcantes como “Maria de Buenos Aires” e principalmente nas suas gravações com Gerry Muligan. Depois de um breve tempo fui também apresentado ao trompetista Fats Fernandez, mas esse foi um caso isolado.Clube de Jazz
A partir de 2004, com a entrada do site no ar, meu contato com o jazz argentino, aos poucos deixou de ser uma curiosidade e se tornou um tema relevante no meu trabalho de divulgar e promover o jazz. Primeiro, foram os shows que assisti da “Antiqua Jazz Band” e a “Porteña Jazz Band”, nos festivais dedicados ao hot jazz & swing. Segundo, e mais importante, foi o contato que fiz com o produtor fonográfico e empresário Ruben Bondoni. Além de publicar uma entrevista e divulgar cds da sua gravadora MDR, pude conhecer grupos contemporâneos de jazz porteño, como o Escalandrum, Pablo Ziegler & Quique Sinesi, Manuel Ochoa, Gustavo Bergalli e Jorge Navarro, entre outros. Mas não me deixou satisfeito, pois tinha conhecido apenas a ponte do iceberg d o jazz argentino. Para resolver essa demanda reprimida precisava de viajar até Buenos Aires.
Viagem
A minha viagem para Buenos Aires, além dos naturais interesses históricos e turísticos, existia um propósito maior: o de conhecer as melhores casas de jazz da cidade, conversar com os músicos, entrar em contato com as gravadoras, livrarias, programas de rádio e jornalistas dedicados ao jazz. Tudo, com certeza, não conseguiria, mas tinha que começar de algum ponto. Nesse momento, agradeço aos músicos Marcelo Coelho e Marvio Ciribelli que me abriram seus contatos para que eu pudesse conhecer Buenos Aires da melhor maneira: regada a muita música de qualidade.
Encontros
O primeiro contato foi com o saxofonista Rodrigo Dominguez, que fez parte da banda de Mariano Otero e que havia gravado recentemente “Amistad” em conjunto com outros três músicos. Nosso encontro se deu no jazzclub “Virasoro”, junto com o produtor Fernando Tarrés, que também dirige o selo Baú Records. Aos poucos me inteirava sobre o jazz da vanguarda argentina ao mesmo tempo em que escutava uma gig comandada pelo baterista Pepe Taveira e pelo tecladista / trompetista Enrique Norris. O próximo encontro se deu com o talentoso guitarrista Alejandro Demogli onde também pude conhecer as influências berkleeanas sobre o atual jazz porteño.
Mas, foi só com Ruben Bondoni, dono do jazzclub Notorious e do selo MDR é que pude entender o jazz argentino como um todo. Aos poucos fui apresentado ao veterano guitarrista Walter Malosetti, e também a Raul Barboza e Juan Falú; a nova geração representada pelo contrabaixista Mariano Otero e pelo pianista Ernesto Jodos, entre tantos outros. Ao final de uma semana, fiquei com o gosto de quero mais. Um bom palpite pode ser o festival de jazz que acontece pelas salas e parques na primavera de Buenos Aires. Mas, para orientar a quem se interesse pelo jazz argentino, listo abaixo uma pequena agenda, onde estão incluídos jazzclubs e alguns cds, distribuídos por gravadoras.
Pequena Agenda
Casas de Shows
1 – Thelonious Club
Salguero 1884 – 1º. Piso – Palermo
Tel: 4829-1562
www.theloniousclub.com.ar
2 – Notorious Bar
Av. Callao 966 - Centro - Buenos Aires
Tel: 4813-6888/4815-8473
www.notorious.com.ar
3 – Virasoro Bar
Guatemala 4328 - Palermo - Buenos Aires
4831-8918 - info@virasorobar.com.ar
www.virasorobar.com.ar
Cds / Gravadoras
1 – MDR Records
Av. Callao 964 - 6º "D" - C1023AAP - Buenos Aires
www.mdrrecords.com.ar
Ruben Bondoni – director
. Walter Malosetti – Palm
. Pablo Ziegler & Quique Sinesi – Buenos Aires Report
. Escalandrum – Visiones
. Manuel Ochoa – Manare
. Raul Barbosa – Dos orillas
. Banda Hermética – El calendário de los sonidos
. Manolo Juarez & Daniel Homer – Quarteto
. Ernesto Snajer – Despues de todo (em vivo)
. Altertango – Tormenta
. Beto Caletti - Tess
2 – Baú Records
. Rodrigo Dominguez – Tonal
. Mariano Otero - A Través
. Bárbara Togander - Lovemanual
. Fernando Tarrés - Perplexity
. Ramiro Flores – Flores
3 – Blue Art
Paraguay 727, 9 Piso, Oficina 8. S2000CVO Rosario, Argentina.
Tel.: Argentina: 0341 411 7929
Exterior: 00 54 341 4117929
Horacio Vargas / director:
www.blueart.com.ar
. Paula Schocron – Urbes
. Sued + Dominguez + Mandelman + Oberson – Amistad
. Ernesto Jodos – Solo
. Jorge Migoya – Casi solo(s)
. Mauri Sanchis – Good Vibes !!
4 – S Jazz
. Juan Cruz de Urquiza – De este lado
. Juan Cruz de Urquiza – Vigilia
. Pepi Taveira – BsAs Inferno
. Natalio Sued – Mirada Esquiva
. Mariano Otero – D Forma
Outros Cds
. Ale Demogli, Hill Greene & Oscar Giunta – 3:30
. Ernesto Jodos – Tristano/Konitz/Marsh/Bauer
. Jorge Cutello – Just in Time
. Norris, Verdinelli & Otero – Mes
. Oscar Edelstein & Raul Barboza – Dos Improptus
. Adrian Iaies – UnoDosTres
. Mariano Otero – Três
. Mariano Otero – Ca4tro".
Para os amigos, Gato Barbieri com Falsa Bahiana ( ).
31/10/2011
Dick Garcia: Message From
Garcia by Jazzland
17/05/2007
Alden & Pizzarelli
Descolei alguns discos do guitarrista Howard Alden. A curiosidade fica por conta da guitarra de sete cordas - aquela corda a mais que nossos chorões e sambistas utilizam para permitir fazer a linha de baixo - que se tornou a especialidade do rapaz. O disco que eu apresento - In a mellow tone - é uma parceria com outro especialista em sete cordas: Buck Pizzarelli (é ele mesmo: o pai do do jovem guitarrista que vem constantemente ao Brasil). O encontro das distintas gerações não é marcado por discrepâncias; ao contrário, percebe-se uma boa coesão entre a linguagem dos dois músicos. A pegada de Alden (e também a de Buck) está impregnada pelo swing, o que conseqüentemente deixa o disco recheado com a alegria peculiar a esse estilo do jazz. Deixo a faixa Tangerine para vosso deleite (clique sobre o nome e digite jazzseen).Para os gringos, o comentário do All music:
Howard Alden and Buck Pizzarelli played together a number of times over the years during jazz parties and in concerts, though the two seven-string guitarists never made a full CD together until In a Mellow Tone (though Alden appeared on a few tracks of Pizzarelli's A portrait). Both heirs to the legacy of guitarist George Van Eps (who popularized the instrument), these two masters make magic on any session in which either of them takes place; combining the two meant that there was no reason for any additional players. With the extra string providing each man the ability to play a bassline for the other, they have a ball in the studio as they trade off playing gems like their cooking renditions of "In a Mellow Tone," "Cherokee," and "Three Little Words." Their slightly brisker treatment of Claude Tornhill's theme song "Snow Fall" works beautifully, while their intimate approach to "What's New" is among the best versions available on record or CD. They also capture the playful spirit of "Jitterbug Waltz" with a brilliant arrangement. Alden tackles both the haunting "In the Dark" and a brief take of "I'm Forever Blowing Bubbles" as solos. The sale of this highly recommended CD benefits the Sante Fe Jazz Foundation, which assisted Alden when illness limited his ability to tour for an extended period
23/03/2009
You Don't Know Her
Há muita controvérsia sobre o papel da mulher no jazz. Talvez a questão esteja de fato limitada, como afirma o amigo Frederico Bravante, às características físicas específicas da mulher, quase sempre as afastando de certos instrumentos, como o trompete, o trombone, o contrabaixo acústico ou, com menor incidência, os saxofones tenor e barítono. Ao aspecto estritamente fisiológico devemos associar o machismo que caracteriza decrescentemente a história humana, impedindo que homens e mulheres pudessem produzir cultura em eqüidade e equilíbrio. A depender da grande maioria dos homens, certamente as mulheres ainda estariam nas cozinhas ou nas saletas de chá, tricotando ou embalando seus gordos bebês. Na melhor das hipóteses, poderiam interpretar Chopin em seus doces lares, num piano comprado por seus pais ou maridos. John Lester mesmo sempre disse que há muitas cantoras no jazz pela simples razão de que a voz é um instrumento barato, fácil de transportar e que raramente podia ser retirado da mulher por seu homem para comprar bebida. E a breve história do jazz de 1900 a 1970 não nos deixa mentir: para cada centena de grandes cantoras, encontramos talvez meia dezena de grandes pianistas, quadro ainda mais reduzido quando procuramos por saxofonistas ou trompetistas. Eu mesmo só ouvi ao vivo uma contrabaixista em toda a minha vida: a bonita loira Nikki Parrott, sidewoman de Les Paul, no Iridium de New York. Durante o show conheci atônito o lado brincalhão do genial e octogenário guitarrista, que durante o show fazia piadas do tipo: “Estou me sentindo como Ray Charles quando encontrava o assento” (entrando em cena); ou “Quando toco penso na irmã de minha esposa” (agradecendo o entusiasmo do público); ou, ainda, “Ela é uma grande bunda (ass), digo, aquisição (asset)” (referindo-se à contrabaixista do grupo). Jennifer Aniston, a estrela de Hollywood, que estava bem próxima a Lester, não gostou da piada e retirou-se do clube, talvez em sinal de protesto. Mais tarde, enquanto comíamos uma pizza de peperoni nas proximidades de Grand Central Terminal, perguntei a Lester porque, ainda hoje, havia tantas cantoras e tão poucas instrumentistas. Lester disse que, a partir da década de 1980, esse quadro vem se alterando significativamente. A virilidade dos primeiros tempos do jazz tem experimentado cada vez mais a sensível inteligência feminina. E com tudo de bom que isso significa. Quem poderia supor que a deliciosa escovinha que ouvimos nos discos de Susie Arioli não é obra de nenhum baterista, que baterista não há no grupo. Essa gostosa escovinha, que é quase um carinho como diz Lester, surgiu porque Susie não sabia onde colocar as mãos durante suas apresentações. Coisa de mulher ou não? Para os amigos fica a faixa You don’t know me , com a canadense e seu fiel guitarrista Jordan Officer.10/10/2006
Jazz guitar player's week: 4 - Raney & Martino

Considerando o fator tempo, acho melhor sapecar dois guitarristas de uma só vez. O primeiro já foi apresentado por Mr. Lester, em outro momento, aqui no blog (dêem uma conferida): o underrated Jimmy Raney (foto a sua esquerda), falecido em 1995. Lembro-me que eu também apresentei um disco, do Ted Brown, do qual Raney também participa. Vamos lá: é perceptível em sua técnica o feeling Cool e a habilidade do Bop. Ali pelo final dos anos quarenta ele tocou com Stan Getz (um daqueles discos com faixas curtíssimas) e repetiu no início dos anos cinqüenta. Esse, aliás, foi o seu período mais produtivo (tocou com Woody Herman, Al Haig, Buddy DeFranco entre outros). Já nos anos 60 apareceu um guitarrista irriquieto, com sonoridade próxima a de Wes, e não demonstra muito grilo ao despejar uma avalanche de notas sobre o ouvinte. Trata-se de Pat Martino (foto a sua direita). Esse tem uma história dramática: teve que ser operado em função de um aneurisma (aquele lance da artéria que resolve criar problemas pro sujeito - no caso de Pat, foi no cérebro) e o camarada ficou desmemoriado: esqueceu até como tocar guitarra. Depois de um longo tempo, ele recuperou a sua habilidade e anda por aí despejando notas pra todo lado, na maior festa. Para não fugir à regra, deixarei alguma coisa no Gramophone by Salsa para o deleite dos navegantes.08/10/2006
Guitar player's week: 2 - Django Reinhardt

21/08/2006
Elas Também Tocam Jazz
A utilização sistemática de heroína talvez tenha contribuído decisivamente para o enfarto fulminante que matou Emily Remler aos 32 anos. Sua morte prematura impediu que essa excelente guitarrista estabelecesse de forma definitiva um estilo próprio. Bastante influenciada pelo toque de Wes Montgomery, a menina Emily começou estudando violão em Berklee aos dez anos e, em 1980, já gravava seu primeiro álbum como líder. Seu trabalho foi quase todo em trios ou quartetos, num clima post bop que me agrada bastante e faz a gente pensar que grande guitarrista ela poderia ter sido se ainda estivesse por aqui entre nós. Logo acima, no Gramophone Jazzseen, deixo para os amigos as faixas Hot House e In A Sentimental Mood. Boa audição!10/07/2006
Jimmy Raney
JIMMY RANEY (1927-1995) – Talvez o melhor guitarrista do cool jazz, Jimmy também encarava sem qualquer receio o escorregadio ambiente do bebop. Apesar da sutileza marcante de sua guitarra, era capaz de dialogar ferozmente com qualquer virtuoso do jazz, sempre imprimindo o som único e distinto de sua guitarra. Seus melhores momentos foram ao lado de Al Haig, Stan Getz, Red Norvo e Jimmy Lyon. Antes de morrer Jimmy tocou e gravou bastante em duo com seu filho, o competente guitarrista Doug Raney. Seguem quatro álbuns que recomendo aos navegantes: A – Prestige OJCCD-1706-2 – 1954-1955 – Reunião de três excelentes sessões distintas: As quatro primeiras faixas (Minor, Some Other Spring, Double Image e On The Square) foram gravadas em 28 de maio de 1954 com o quarteto formado por Hall Overton (p), Teddy Kotick (b) e Art Mardigan (d). As faixas 5 a 8 (Spring Is Here, One More For The Mode, What’s New e Tomorrow, Fairly Cloudy) são de 18 de fevereiro de 1955 e as faixas 9 a 12 (A Foggy Day, Someone To Watch Over Me, Cross Your Heart e You Don’t Know What Love Is) são de 8 de março de 1955, todas em quinteto com John Wilson (t), Hall Overton (p), Teddy Kotick (b) e Nick Stabulas (d).
Two Jims And A Zoot – Mobile Fidelity MFCD 1-833 – 1964 – Elegância e descontração num ambiente bossa-nova ao lado de Jim Hall (g) e Zoot Sims (ts). Contém as faixas A Primeira Vez, Manhã De Carnaval, Este Seu Olhar, Coisa Mais Linda, entre outras.
Complete Live In Tokyo – EPM FDC 5157 – 1976 – Relançamento em cd do excelente lp Xanadu 132, talvez este seja o melhor trabalho de Jimmy. Acompanhado nas nove primeiras faixas (How About You, Darn That Dream, Anthropology, Watch What Happens, Just Friends, Autumn Leaves, Stella By Starlight, Here's That Rainy Day e Cherokee) pelos competentes Sam Jones (b) e Leroy Williams (d), Jimmy recebe os convidados Charles McPherson (as) e Barry Harris (p) nas duas últimas (Groovin’ High e Blue ‘N’ Boogie).
Wisteria – Criss Cross 1019 – 1985 – Outro excelente trabalho de Jimmy, dessa vez com a presença perfeita dos mestres Tommy Flanagan (p) e George Mraz (b).
Logo ali em cima, na quarta faixa do Gramophone Jazzseen, você ouve Groovin' High, do álbum Complete Live In Tokyo. Boa audição.




